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Amoêdo declara voto em Lula e é ameaçado de expulsão pelo Novo
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Amoêdo declara voto em Lula e é ameaçado de expulsão pelo Novo

|Eleições 2022| Para o fundador e candidato à presidência pelo partido Novo em 2018, Bolsonaro representa "um risco substancialmente maior". Partido divulgou nota repudiando declaração
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JOÃO AMOÊDO terminou em quinto lugar nas eleições de 2018 (Foto: Rovena Rosa/Agencia Brasil)
Foto: Rovena Rosa/Agencia Brasil JOÃO AMOÊDO terminou em quinto lugar nas eleições de 2018

Fundador do partido Novo e candidato à presidência pela sigla em 2018, João Amoêdo (Novo) anunciou ontem que irá votar no presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração teve forte repercussão negativa dentro do Novo, inclusive, com alguns membros pedindo a expulsão dele da legenda.

Em texto publicado ontem no jornal Folha de São Paulo, Amoedo se posicionou contra a reeleição de Jair Bolsonaro. “No dia 30, farei algo que nunca imaginei. Contra a reeleição de Jair Bolsonaro, pela primeira vez na vida, digitarei o 13. Apertar o botão 'Confirma' será uma tarefa dificílima. Mas vou me lembrar do presidente que debochava das vítimas na pandemia, enquanto milhares de famílias choravam a perda de seus entes queridos”, disse Amoêdo.

Em 2018, Amoêdo conquistou 2,5% dos votos e terminou em quinto lugar. No segundo turno disputado entre Jair Bolsonaro (até então no PSC) e Fernando Haddad (PT), o político apoiou Bolsonaro. Segundo ele, a atual escolha pelo petista se justifica em um contexto inevitável de Bolsonaro ou Lula na presidência no próximo ano.

“Os fatos, a história recente e o resultado do 1º turno, que fortaleceram a base de apoio de Bolsonaro, me levam à conclusão de que o atual presidente apresenta um risco substancialmente maior”, justificou.

Direção do Novo reforça oposição ao PT

Após a declaração, filiados à legenda foram a público se manifestar contra a posição adotada pelo correligionário e reafirmar críticas ao ideário petista. O presidente da agremiação, Eduardo Ribeiro, chamou a declaração de "vergonhosa e constrangedora", e a executiva do partido lançou nota reforçando oposição ao candidato do PT.

"O PT e o Lula representam tudo o que o nosso partido sempre combateu. Essa é a prova final de que o Novo nunca mudou, quem mudou foi o João", afirmou Ribeiro.

Candidato a vice em sua chapa naquele ano, o cientista político Christian Lohbauer (Novo) gravou um vídeo sugerindo a expulsão de Amoedo dos quadros do partido. "O João Amoêdo se transformou numa pessoa irrelevante no partido e na política brasileiro. Não faz a menor importância o que ele pensa e o partido deveria expulsá-lo, como já fez com casos muito menos graves que este", afirmou.

O ex-presidenciável Felipe d'Avila (Novo) também convidou Amoêdo a se retirar do partido. Segundo ele, o correligionário "traiu" os valores da legenda ao se alinhar ao PT.

"A declaração de voto de Amoedo ao Lula é uma traição aos valores liberais, ao partido Novo e a todas as pessoas que criaram um partido para livrar o Brasil do lulopetismo, que tantos males causou ao Brasil. Amoêdo: pega o boné e vai embora. Você não representa os valores liberais", escreveu.

O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) gravou um vídeo chamando o episódio de "inadmissível" e "inacreditável". "João Amoêdo não me representa! Deve se desligar do Novo se tiver ainda dignidade ou então a Comissão de Ética deve tomar providências urgentes", afirmou.

Ainda que continue filiado ao partido, Amoedo tem se distanciado do Novo por divergir das posições da legenda durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

Em fevereiro do ano passado, ele se manifestou publicamente contra a soltura do deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), enquanto toda a bancada do partido foi contra a prisão.

O empresário também discordou da legenda em questões como oposição ao chefe do Executivo e obrigatoriedade da vacinação contra a covid-19. (Com Agência Estado)

João Amoêdo e as críticas a Bolsonaro

Nas redes sociais, João Amoêdo frequentemente se posiciona contra o atual presidente. Em uma delas, no Instagram, divulgou em seu perfil um abaixo assinado em prol do impeachment de Bolsonaro, com quase 400 mil assinaturas, ao lado do hastag “fora Bolsonaro”. Para ele, o Brasil passou por um “regresso institucional” estimulado por Jair Bolsonaro (PL) .

“A paixão e o ódio dominaram o debate político, levando a polarização a níveis inaceitáveis. A independência dos Poderes foi comprometida. O Legislativo foi cooptado pelo orçamento secreto e as emendas parlamentares. O Supremo Tribunal Federal se tornou alvo de ataques frequentes por parte do presidente e seus aliados. O combate à corrupção foi extinto com a narrativa mentirosa de que ela acabou e com o desmonte da Lava Jato”, sustenta.

Áreas como educação, meio ambiente, ciência, cultura e responsabilidade social foram criticadas como “legado desastroso” do presidente. Segundo Amoêdo, “Bolsonaro confirmou ser não apenas um péssimo gestor, como já prevíamos, mas também uma pessoa sem compaixão com o próximo. Ele é incapaz de dialogar, de assumir suas responsabilidades e não tem compromisso com a verdade. É um governante autocrático que se coloca acima das instituições”, escreveu na declaração de voto.

João Amoêdo e o voto crítico

Desde que fundou o partido Novo, em 2011, Amoêdo criticou publicamente as gestões petistas. Segundo ele, apesar do voto em Lula, manterá a oposição a qualquer candidato que seja eleito.

“Nem Lula nem Bolsonaro merecem meu voto. Serei oposição a qualquer um dos dois. Porém, e infelizmente, a escolha que agora se apresenta na urna não é sobre os rumos que desejo para o Brasil, mas só a possibilidade de limitar danos adicionais ao nosso direito como cidadão. E é só isso que espero manter com essa eleição: o direito de ser oposição. Com eleições regulares, reeleição limitada, instituições minimamente independentes, imprensa livre e segurança para expor minhas ideias. Nada disso está garantido com as duas opções", avalia João.

“Em relação ao PT e a Lula, continuo com as mesmas críticas e enormes restrições. Como esquecer o mensalão, o petrolão, a recessão de 2015 e 2016, as pedaladas fiscais, o apoio a ditaduras? Discordo integralmente das ideias e dos métodos. A incapacidade de assumir erros é a garantia de erros futuros. Nunca tive dúvida. Nem Lula nem Bolsonaro merecem meu voto", 

João Amoêdo e as dissidências internas

Governador reeleito por Minas Gerais com 56,59% dos votos, o único governador do partido, Romeu Zema (Novo), está apoiando Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais. Já o candidato do partido no primeiro turno do partido, Felipe D'Ávila (Novo), já havia declarado neutralidade por considerar ambos “populistas”. Neutro, o partido Novo liberou filiados para apoiar qualquer um dos candidatos.

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